domingo, 5 de junho de 2022

Os frutos da disciplina Mitos da Criação



Gente, a disciplina Mitos da Criação arrasou em termos de conteúdo que foi passado para os alunos. A cada aula a professora Leyla Brito nos surpreendeu com um material de altíssima qualidade, que muito enriqueceu o debate sobre os Mitos da Criação. A metodologia que ela implementou atendeu as expectativas dos alunos. Tal como foi proposto no plano de curso da disciplina, tivemos aulas expositivas, dinâmicas, dialógicas, dando aos alunos a oportunidade de melhor conhecer a matéria mítica em suas várias faces. Foi uma viagem pelas diversas culturas, mostrando os vários mitos presentes na criação do mundo. 

Claro que o material que foi apresentado em sala de aula não deu pra ser degustado com mais profundidade, até mesmo pelo fator tempo. Mas nada impede que o aluno, por conta própria, se dedique a estudar e compreender as estruturas míticas. Como dissemos no início, a disciplina cumpriu com os seus objetivos e nós só temos que agradecer a professora Leyla, que de forma competente, soube transmitir os conhecimentos acerca de uma tema tão fascinante. 

Estudar os mitos é de fundamental importância para que possamos aprender a ter respeito pela crenças de outros povos. 

Os textos estudados tiveram como autores nomes de respeito na área das ciências das religiões como Nancy Huston (A espécie Fabuladora), Claude Levi-Strauss (Mito e Significado), Karen Armstrong (Breve História do Mito), Marcelo Gleiser (A Dança do Universo - Dos mitos de Criação ao Big Bang), Umusi Pärökumu e Tõrāmā Këhíri ( Antes o mundo não existia - Mitologia dos antigos Desana-Kéhíripõrã), Claudio Blanc (O grande livro da mitologia egípcia), Moustafa Gadalla (A cosmologia egípcia - o universo animado), Mircea Eliade (História das crenças e da ideias religiosas) e Eudaldo Francisco Santos Filho e Janaina Bastos Alves (A construção e difusão do conhecimento por meio de contos africanos: a tradição oral sobre a cosmologia Iorubá)

Neste texto, já de conclusão do semestre, vamos recapitular os assuntos que foram abordados em sala de aula, a saber:

A espécie fabuladora (08/03/2022)

"Somos animais. Mamíferos, primatas, supersuperiores. Sem maiores razões do que as outras espécies para estar no planeta terra ou para fazer seja lá o que for neste planeta ou em qualquer outro. Mas somos especiais".

Mito e significado - Levi-strauss (15/03/2022)

"As histórias de caráter mitológico são, ou parecem ser, arbitrárias, sem significado, absurdas, mas apesar de tudo dir-se-ia que reaparecem um pouco por toda a parte".

Mitos no período paleolítico (22/03/2022)

"Como os homens de Neandertal, os habitantes do paleolítico não puderam deixar um registro escrito de seus mitos, mas as histórias se mostraram tão cruciais para o modo como os seres humanos entendiam sua condição e suas dificuldades que sobreviveram fragmentadas nas mitologias das culturas posteriores".

Mito no neolítico: mitologia dos caçadores (29/03/2022)

"Poucas conquistas foram mais importantes para a espécie humana que a revolução agrária do Neolítico. A nova ciência da agricultura foi abordada com reverência religiosa. Os povos do período paleolítico consideravam a caça um ato sagrado, e agora também a agricultura se tornava sacramental".

Mito nas Primeiras Civilizações (05/04/2022)

"O povo da Mesopotâmia via a cidade como um lugar onde se poderiam encontrar o divino. Era - quase - uma recriação do paraíso perdido".

Classificação dos Mitos de Criação (19/04/2022)

"Vivemos na nossa realidade polarizada, de onde tentamos compreender a essência do Absoluto. A ponte que estabelece a relação entre o Absoluto e a realidade é o mito da criação".

Mitologia de criação Desana-Kehiripõrã (03/05/2022)

"No princípio o mundo não existia. As trevas cobriam tudo. Enquanto não havia nada, apareceu uma mulher por si mesma. Isso aconteceu no meio das trevas. Ela se chamava Yebá Buró, a "Avó do Mundo" ou, também "Avó da Terra".

A civilização e a religião egípcia (10/05/2022)

"A civilização egípcia durou mais de três mil anos e teve cinco fases principais até desaparecer gradualmente sob o domínio romano, quando o cristianismo passou a ser a religião do império. Os egípcios desenvolveram uma civilização bastante complexa, que funcionou com eficiência durante a maior parte de seus três mil anos de história".

A cosmologia egípcia (24/05/2022)

"No Egito, o que hoje chamamos de religião, era tão amplamente reconhecida que nem sequer precisava de um nome. Para eles, não se percebia diferenças entre o sagrado e o mundano. Todo o seu conhecimento que era baseado nessa consciência cósmica foi incorporado em suas práticas diárias, as quais se tornaram tradições".

Cosmogonia Mesopotâmica (31/05/2022)

"Até o momento não se descobriu nenhum texto cosmogônico propriamente dito, mas algumas alusões nos permitem reconstituir os instantes decisivos da criação, tal como era concebida pelos sumerianos. A deusa Nammu (cujo nome é escrito por meio do pictograma que designa o “m ar prim ordial”) é apresentada como “a mãe que gerou o Céu e a Terra”, e a “avó que deu à luz todos os deuses”. O tema das Águas Primordiais, imaginadas como um a totalidade ao mesmo tempo cósmica e divina, é bastante freqüente nas cosmogonias arcaicas. Também nesse caso, a massa aquática é identificada à Mãe original que gerou, por partenogênese, o primeiro casal, o Céu (An) e a Terra (Ki), encarnando os princípios masculino e feminino. Esse primeiro casal era tão unido que chegou a confundir-se, no hierós gámos. Da sua união nasceu En-lil, o deus da atmosfera".

Cosmovisão Iorubá (07/06/2022)

"Entre as diferentes histórias que ilustram a criação do mundo e o surgimento dos seres humanos, os contos de matriz africana, mais precisamente os de origem Iorubá, encantam pela sua forma, plasticidade e conteúdo. Tais histórias são impregnadas de sabedoria, beleza e ludicidade, que mobilizam estudiosos e leitores. O conhecimento cosmológico Iorubá se baseia nos ancestrais divinizados e nos elementos da natureza para justificar a criação do planeta e do homem. A crença na existência de seres sagrados orienta a percepção de mundo da cultura deste povo e dos afro-brasileiros. Este é um pressuposto das crenças cosmológicas de herança africana".




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